17 de Março de 2012

Pop songs

O Tiago (um leitor dedicado) recomendou-me isto. E eu recomendo-o a vocês.
Espreitem.

http://osbota.blogspot.pt/2012/03/fabuloso.html


Auriculares de corrida

Quando corro na rua vou quase sempre a ouvir música no iPod do telefone.
Inicialmente, corria com os auriculares da Apple, os que vêm originalmente com o iPhone e o iPad. São óptimos, mas ao fim de uma meia-hora de corrida começam a escorregar das orelhas. Primeiro cai o de um lado, depois o do outro, e às tantas já vou mais preocupado em segurar os auriculares do que em controlar a respiração.

Optei por comprar uns phones desportivos na Sportzone, mas ao fim de um mês, ou coisa parecida, o auricular do lado esquerdo deixou de funcionar. Era Inverno, estava frio, e um dia resolvi experimentar correr com os meus auriculares da WeSC, uns daqueles grandes, com um som perfeito, e que não são feitos para praticar desporto. Mas foi maravilhoso. Não escorregaram, funcionaram na perfeição e até me aqueceram as orelhas. A partir desse dia, passaram a ser os meus phones de corrida. E ainda o são (há mais de um ano) - entretanto comprei outros WeSC para ter em casa, porque os de corrida começaram a ficar sujinhos.

Na semana passada, no Brasil, resolvi levá-los quando fui correr. Estava demasiado calor, e percebi que, se calhar, para o Verão, seria melhor uma opção mais fresquinha. E descobri uma pequena maravilha da Panasonic. São uns auriculares adequados para desporto, que têm um encaixe que se prende às orelhas e os deixa perfeitamente seguros. Experimentei-os e são mesmo fantásticos (há uns anos já tinha testado vários deste género, e nenhum me convenceu). Não nos isolam do mundo, como os da WeSC (têm um efeito terapêutico), mas, em dias mais quentes, permitem-nos correm se sequer nos apercebermos que temos umas coisas enfiadas nos ouvidos - e é isso que se quer.

Uns WeSC iguais aos meus (os meus são vermelhos)

Os meus phones novos para correr, da Panasonic

Na Benard

Manhã na Benard.
- Bom dia. Queria um croissant de chocolate, um leite ucal e três hungaros.
- Hungaros?
- Sim.
- Não temos.
- Têm, sim. Estão ali na entrada, na vitrine.
- Então aqui não se devem chamar hungaros.
- Pois, isso já não sei.
- Mostre-me lá onde estão.

A senhora levantou-se vagarosamente e bastante contrariada arrastou-se até à vitrine.

- Estão aqui, são estes.
- Pois, mas isso não são hungaros. Isso são miniaturas de hungaros.

A Benard é o sítio onde o cliente nunca tem razão.



16 de Março de 2012

A dança do Drogba

Ontem, o treinador do Manchester City disse, depois da eliminação aos pés do Sporting, que errou ao não se preocupar muito com a equipa portuguesa, já que olhou para a classificação e viu que estava bastante atrás do FC Porto (que levou 6-1 do City, a duas mãos).
Mas em Inglaterra parece que há gente que não aprende com estas coisas.
O menino Drogba, do Chelsea, ficou todo contente por lhe ter saído o Benfica na Liga dos Campeões.
E fez uma pequena dança a gozar com o clube e com a águia.
Ele que se ria tudo por agora.
Talvez chore mais tarde.

Vejam o vídeo:


iNews

O meu iPhone recuperou parcialmente, mas está naquele estado quase vegetativo, ligado às máquinas.
O vidro está partido de um lado ao outro, o botão para ligar/desligar não funciona, a esfera ao centro só é accionada quando pressiono com tanta força que fico com o polegar vermelho, a máquina fotográfica está avariada, o iPod parece um cd riscado (as músicas andam aos saltinhos) e algumas aplicações não abrem.
Mas dá para ir à net, e fazer chamadas.
É o que se chama o iPhone possível.
Pobre coitado.

Autógrafos na zona centro?

O Arrumadinho vai estar amanhã na zona de Leiria.
Será que existem por estas bandas leitores suficientes que se justique uma espécie de sessão informal de autógrafos no meu livro acabadinho de sair? (a foto está aqui ao lado direito).
Os interessados em comparecer podem enviar-me um mail para oarrumadinho@gmail.com.
No final do dia, vejo se há muitos interessados, e se organizamos isto. Eu garanto que respondo aos mails e informo o pessoal se vai, ou não, haver sessão.

O homem do assobio

Hoje saí à rua e alguém assobiava uma melodia que me parecia familiar. Ao fim de cinco segundos percebi que era um cântico do Sporting, em versão assobio, e que vinha de um homem que andava a passear o cão. Ele virou-se e era o meu vizinho de baixo.
Quando me viu sorriu e disse qualquer coisa imperceptível. Estava quase sem voz. Passei mesmo ao lado dele e lá o entendi.
- Ainda estou rouco de ontem.
- Pois, imagino a festa.
- E eu estive lá, em Manchester.
- Ah foi, então muitos parabéns, e boa sorte para o sorteio de hoje.
. Obrigado.

E lá continuou a assobiar.

Para quem diz que não entende a utilidade do futebol, está aqui a resposta: é capaz de pôr uma pessoa a assobiar de manhã, feliz, de bem com a vida. Também pode ter o efeito contrário, é um facto, mas estas alegrias, esta boa disposição depois de um grande triunfo, torna este jogo (como outros, noutros países) admirável.

15 de Março de 2012

A SIC e o Sporting

Esta eliminatória emocionante do Sporting merecia um narrador de jogo à altura. 
O Paulo Garcia, que não tem um pingo de emoção a relatar um jogo de futebol, viu um "penálti indiscutível" para o Manchester City quando eu vi apenas um salto para a piscina, viu "um golo perfeitamente legal" do Kun Aguero que me pareceu que ele estava em fora-de-jogo, passou o tempo extra a tentar adivinhar quantos minutos tinha dado o árbitro quando todos vimos que foram 5, dizia que cantos eram pontapés de baliza, enfim, demasiados disparates para uma noite tão boa para o futebol português. 


Só mais uma coisa: ele que pare de dizer "rigorosamente a não perder". O que é que isto quer mesmo dizer? 


Parabéns ao Sporting e obrigado pela imagem que deram do futebol português.

O que é escrever bem, o que é um bom livro, o que é um bom escritor

Nunca se há-de chegar a um consenso quando se fala de grandes escritores, de grandes livros. Para uns, como eu, Saramago foi um génio, para outros será sempre um gajo que nem pontuar sabe. Há quem devore, com entusiasmo, livros do Sousa Tavares e do José Rodrigues dos Santos, mas eu não lhes consigo pegar - já peguei, não gostei, não me cativaram, não me fizeram querer ler mais coisas escritas por eles.

Há nisto uma grande dose de subjectividade, de gosto próprio, porque nem todos procuramos o mesmo num livro ou num autor. Há quem leia para aprender, há quem goste de livros para se distrair, há quem adore saborear prosas bonitas, palavras acarinhadas, e há quem prefira a história, o enredo, a intriga, o suspense. Uns querem envolver-se com as personagens, viver com elas, levá-las na mala, conhecer-lhes o passado, e os pais e sobrinhos e perceber como eles tratam o gato, e há os que galgam páginas indiferentes a isso, procurando apenas o desfecho final.

Eu gosto um bocadinho dos dois registos, mas valorizo muito mais uma história rica, emocionante e bem contada, do que uma história sem grande história mas contada com frases que nos deslumbram como fintas do Messi. O que acho verdadeiramente estúpido são os rótulos que se colocam aos autores que não procuram as tais frases artísticas mas sim palavras simples que nos encaminham perante uma história. Diz-se serem menores, populares, apenas porque vendem aos milhões e preferem agarrar-nos pela história e não pela arte da escrita tricotada.

O ano passado li pela primeira vez um livro do Ken Follett. E comecei pelo último dele, o mais recente, o primeiro volume da "Queda dos Gigantes", um calhamaço de mil páginas que mais parecem 100 tal a velocidade a que aquilo se lê. Quis conhecer mais. Fui procurar as outras obras mais populares dele. Agarrei n' "Os Pilares da Terra", mais mil páginas, num registo totalmente diferente, mas igualmente viciante. Depois disso já li "O Homem de Sampetersburgo" e ontem terminei "O Terceiro Gémeo", que li em três ou quatro dias, apesar das quase 600 páginas.

Follett é dos tais que não faz origami com frases, prefere antes contar boas histórias. Considero-me um consumidor razoável de livros e não conheço muitos autores que consigam fazer o que ele faz, que é prender-nos a cada página. Nos livros de Follett - pelo menos nos que eu li - há sempre qualquer coisa a acontecer. Há sempre uma personagem presa a qualquer coisa, alguém que esconde um segredo, que está metido numa alhada, há sempre uma decisão importante que tem de ser tomada. Ler estes livros é mais ou menos a mesma coisa que ver episódios atrás de episódios das primeiras temporadas do "24". E fazer isto, criar estes cenários, estes enredos, estas personagens, estes mistérios, as dúvidas, é algo que requer muito trabalho, muita arte, muito talento.

E depois lá vêm os pseudo-intelectuais dizer que o Follett é um autor menor, e eu não percebo porquê. Onde é que ele falha? Em que é que ele é mau? O que é que está ali a mais ou a menos? A arte de escrever é, sobretudo, a arte de contar uma história, não apenas na forma, mas também no conteúdo. E quase sempre eu prefiro o conteúdo à forma. Dizer que o Ken Follett é um mau escritor é mais ou menos a mesma coisa que dizer que o Xavi é um mau jogador de futebol, só porque marca poucos golos e faz poucas fintas (para quem não sabe, o Xavi é capitão do Barcelona e da selecção espanhola de futebol, o cérebro da equipa, o homem que põe toda a gente a jogar, que carrega a equipa às costas, campeão da Europa de selecções e de clubes, campeão do mundo de selecções e de clubes, e duas vezes consecutivas considerado o 3º melhor jogador do mundo, atrás do Messi e do Ronaldo).

Ontem, depois de ter terminado "O Terceiro Gémeo", agarrei-me ao "Filho de Mil Homens", do Valter Hugo Mãe - a minha estreia, nunca tinha lido nada dele (a minha mulher leu este e disse-me que era maravilhoso). O registo é o oposto do Follett, muito mais Gabriel Garcia Marquez, muito mais trabalhado na construção das frases, mais pensado nas palavras, mais bonito, bem escrito, mas menos galopante, menos vibrante, menos entusiasmante. Li 50 páginas de seguida e parei porque estava a morrer de sono, e odeio ler a cabecear de sono. Mas do que li não esqueço o homem que chegou aos 40 anos, o Crisóstomo, o tal que só se sentia meio completo, o que lhe faltava metade de tudo, como não esqueço a Anã e as suas costinhas, ou o menino Camilo que era esperto a matemática. Eu sei que foi só ontem, e que é normal lembrar-me de tudo, mas a verdade é que passaram mais de 20 anos que li os "Cem Anos de Solidão" e continuo a lembrar-me dos Aurelianos Buendias, e Aurelianos Josés, e Aurelianos Segundos da história de Garcia Marquez, e a sensação que guarda dessas personagens é a mesma que guardo agora, com este registo de Valter Hugo Mãe.

Isto tudo para dizer que um grande escritor, para mim, é aquele que nos toma, de alguma forma, seja pela arte de contar a história seja pela teia de palavras que nos deixa de joelhos. Nuns dias quero ler uns, noutros dias prefiro outros. Agora os que menorizam uns só porque todos o conseguem ler e elevam os outros, os que parecem apenas ao alcance dos iluminados, esses, para mim, são apenas tristes.

Estão todos convidados para a festa

Para todos os que me têm dito que querem comprar o livro, mas exigem um autógrafo ou dedicatória, aqui fica o convite: quero-vos a todos no dia 27 de Março, às 18h30, na livraria Leya na Buchholz, em Lisboa.
Fica ali bem pertinho do Marquês de Pombal.
Vai haver uma apresentação do livro feita pela minha querida Rita Ferro Rodrigues e depois poderemos todos falar um bocadinho. No final, prometo dedicatórias para todos os que quiserem.
Apareçam mesmo. Será um prazer ver a cara dos que me lêem diariamente, e que muitas vezes identifico apenas com um nome com que assinam nos comentários.
Partilhem com os vossos amigos, tragam livros para vocês, para oferecer à prima, à irmã ou à colega. Se preferirem comprar lá, também podem, mas vão mesmo querer ficar até dia 27 sem o ler? Também achei que não.

Ainda não sei se irá haver um lançamento oficial a Norte, mas ainda que não haja faço questão de ir ao Porto um dia para conhecer os meus leitores e deixar-vos uma dedicatória nos livros, nem que seja num cafézinho por aí.